No dia 1 de Julho de 1994 nosso país começou a reverter uma situação histórica, lamentável, e que parecia que o prendia como areia movediça. Dia primeiro de julho de 1994 foi quando esquecemos o que era hiperinflação.
Talvez não seja exagero dizer que nossa muito jovem democracia tem dois grandes triunfos, duas histórias de conquista que merecem e sempre merecerão ser comemoradas. Uma delas é a história do metalúrgico que queria muito e tanto fez que conseguiu chegar à Presidência da República. A outra é o drible no "dragão da inflação", termo que hoje parece ecoar no vazio, mas que se fazia presente na vida de todos os cidadãos brasileiros. Nunca poderemos nos esquecer como eram aqueles dias em que entrar em um supermercado no início do mês era testemunhar a falência e o desespero de uma nação, que lotava corredores e corria com seus carrinhos entre as prateleiras, no esforço miserável para estocar o máximo possível durante o restante do mês. As filas nos caixas eram insuportáveis, enormes, angustiantes, a experiência era sufocante, uma luta por mantimentos básicos e pela distribuição de comida. Tudo porque o preço do mesmo carrinho de compras teria um preço absurdamente mais caro, e linhas inteiras de produtos muito já teriam sumido de circulação no dia seguinte. Um supermercado brasileiro na década de 80 era uma praça de guerra: nos primeiros dias consumidores vorazes lutavam com todas as suas forças. Nos outros, o vazio e o abandono eram semelhantes às cidades desertas ou aos campos de batalha, em que o aparente silêncio e vazio esconde o perigo
entrincheirado, o monstro esperando um deslize ou um descuido para devorar sua presa a golpes rápidos de dragão. Antes do plano Real foram feitas tentativas e fracassos tão vergonhosos para nossa cultura e sociedade que merecem se dissecados em laboratório em que estudos científicos e acadêmicos revelarão quão frágil é nossa habilidade para lidar com o dinheiro aqui no Brasil. (Nota: esse "luxo, é claro, não é privilégio nosso; a inabilidade capitalista consome não só nossos irmãos africanos ou latino americanos, mas os próprios estadunidenses, que nesse momento afundam e levam a Eurásia junto consigo nesse momento. Mas, voltando ao plano Real...). E a maneira na qual a estabilidade da moeda aconteceu no Brasil é um parágrafo a parte. Tudo começou com a primeira eleição aberta para o cargo de Presidente da República depois de décadas de terríveis erros administrativos cometidos pela ditadura. Escolhemos Fernando Collor, um político de Alagoas que prometia em sua plataforma a modernização do país (leia-se estabilização econômica). Escolhemos Collor ao invés de Lula porque acreditávamos que o jovem tecnocrata teria melhores condições de acertar aquela coisa horrível que precisávamos chamar de economia. E o primeiro ato do recém empossado presidente foi uma tentativa de acabar com o dragão com um só golpe: o confisco da poupança, medida que, alem de infeliz e obviamente abusiva, provocou a ira e a desilusão de um país inteiro. Por sorte (e com grande ironia) o próprio Collor nos daria motivos de sobra para que conseguíssemos tira-lo do poder com provas irrefutáveis de abuso e desvio do dinheiro publico, o mesmo que jurava e precisávamos tanto
que protegesse. Saiu Collor, mas deixou em seu lugar seu vice, Itamar Franco, talvez o Presidente mais desacreditado da nossa História. Aos nossos olhos, o mineiro topetudo seria um tapa-buraco até a próxima eleição. Acontece que Itamar conseguiu colocar a pessoa certa no posto certo: o sociólogo Fernando Henrique Cardoso, que arquitetou o Plano Real com base no sucesso da Argentina com o Plano Cavallo. Ufa. Em outras palavras, chegamos ao Real que você carrega no bolso quase espontaneamente e sem um grande planejamento. E, inicialmente, sem muita fé da maioria, que já havia apanhado muito dos sucessivos planos econômicos que o governo criara até então, todos fracassados. Vale lembrar que, para conseguir driblar o Dragão da Inflação, quase apelamos para uma dolarização total da nossa moeda, defendida por alguns. A solução chegou perto, e o Real só funciona graças a um cálculo complicado de economês que compara o valor da nossa moeda com o dólar americano. O mais importante de tudo isso é que há 15 anos você sabe exatamente o valor das coisas. Pode fazer um planejamento mensal, bimestral, semestral de gastos. A inflação existe, os preços aumentam aqui e acolá, mas nada como os saltos de antigamente. Acreditar no Real passou a ser fundamental para a nossa cidadania. O próprio Fernando Henrique Cardoso foi eleito por dois mandatos consecutivos por pura associação que fizemos com o ex-ministro da Fazenda, que será pra sempre o “pai do Real”.
que protegesse. Saiu Collor, mas deixou em seu lugar seu vice, Itamar Franco, talvez o Presidente mais desacreditado da nossa História. Aos nossos olhos, o mineiro topetudo seria um tapa-buraco até a próxima eleição. Acontece que Itamar conseguiu colocar a pessoa certa no posto certo: o sociólogo Fernando Henrique Cardoso, que arquitetou o Plano Real com base no sucesso da Argentina com o Plano Cavallo. Ufa. Em outras palavras, chegamos ao Real que você carrega no bolso quase espontaneamente e sem um grande planejamento. E, inicialmente, sem muita fé da maioria, que já havia apanhado muito dos sucessivos planos econômicos que o governo criara até então, todos fracassados. Vale lembrar que, para conseguir driblar o Dragão da Inflação, quase apelamos para uma dolarização total da nossa moeda, defendida por alguns. A solução chegou perto, e o Real só funciona graças a um cálculo complicado de economês que compara o valor da nossa moeda com o dólar americano. O mais importante de tudo isso é que há 15 anos você sabe exatamente o valor das coisas. Pode fazer um planejamento mensal, bimestral, semestral de gastos. A inflação existe, os preços aumentam aqui e acolá, mas nada como os saltos de antigamente. Acreditar no Real passou a ser fundamental para a nossa cidadania. O próprio Fernando Henrique Cardoso foi eleito por dois mandatos consecutivos por pura associação que fizemos com o ex-ministro da Fazenda, que será pra sempre o “pai do Real”.E você? Quais suas lembranças antes do REAL? Tem visto o dragão rondar por aí?
(texto by Rafa da MTV)
O que especialista acham do Plano Real?
http://economia.uol.com.br/ultnot/2009/07/01/ult4294u2732.jhtm
See Ya! beijomeliga...
http://economia.uol.com.br/ultnot/2009/07/01/ult4294u2732.jhtm
See Ya! beijomeliga...
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